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Câmara Municipal de Ilhéus

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A Soares Lopes também precisa ser um espaço fomentador da cultura, do talento e da diversidade, dizem especialistas

18/09/2021 às 08h24

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A avenida Soares Lopes , em Ilhéus, precisa também ser vista e pensada como um espaço fomentador de cultura, de reconhecimento do talento e da história do povo de Ilhéus e de defesa da diversidade. A opinião é de representantes de manifestações culturais e religiosas, que participaram ontem (17) de mais uma audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores para debater a destinação da principal orla da cidade.

“Nossa contribuição para a revitalização da avenida é a criação de um memorial de literatura do sul da Bahia a fim de registrar fatos memoráveis, com destaque para os indivíduos que foram ícones de nossa história. A proposta é de preservação da nossa memória”, opinou o ex-secretário de Cultura do município, escritor e presidente da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), Pawlo Cidade.

Desafio

“Esse, de fato, é o nosso maior desafio na secretaria: o resgate do setor cultural”, reconhece o secretário municipal da pasta, Geraldo Magela.  Ele defende a criação de representações culturais na avenida Soares Lopes. Desde uma oca indígena para lembrar os antepassados, passando Casa da África e de um engenho, pelo fato da cana-de-açúcar já ter sido extremamente importante para a economia da cidade. E, obviamente, o cacau, com a reconstrução de uma mata atlântica, simbolizando o sistema cabruca de produção. 

Esta nova etapa da Audiência Pública, com a temática da Cultura, reuniu os vereadores Vinícius Alcântara (PV), Enilda Mendonça (PT) e Ivo Evangelista (Republicanos). O objetivo do Poder Legislativo com esses eventos é ser a escuta dos setores da sociedade. “A avenida Soares Lopes é o ponto de convergência social, política e econômica da cidade. Por isso estamos precisamos ouvir a cidade inteira. Por que neste espaço cabem todos e todas as diversidades”, completa a vereadora Enilda Mendonça.

Projeto moderno e sustentável

Presidente do Teatro Popular de Ilhéus, o diretor Romualdo Lisboa afirma que desde 2013 o grupo vem tentando, sem êxito, dialogar com o Poder Público sobre a ocupação cultural da avenida. Recentemente, a Tenda Popular, espaço cultural administrado pelo TPI, desabou. “Apresentamos há oito anos o Projeto Cultural Aldeia das Artes. É um projeto que pretendia fazer uma ocupação a partir da economia da cultura. Um processo de intervenção urbana, foi feito para dialogar com o projeto Burle Marx. São construções de baixo impacto ambiental”, apresentou. “Mas parece que a gente está sempre enxugando gelo”, revelou o diretor.

A professora Bianca Lavigne, do segmento da dança, lembra que a Tenda Popular do TPI por muito tempo acolheu os artistas da cidade.  “Por que a Concha Acústica não pode ser um espaço cultural? Já existe a estrutura e poderíamos utilizar. Existem grupos de danças em alguns bairros que lutam para sobreviver e achar um local para se apresentar seria perfeito”, disse.

“Sim, mas a avenida precisa também contemplar a diversidade, fazer com que o espaço seja de todos, independentemente de suas opções e escolhas. Podemos muito contribuir com projetos que assegurem esses direitos”, destacou Waltércio Costa, do LGBTQIA+, movimento político e social que defende a diversidade e busca mais representatividade e direitos para a comunidade.

Manifestações religiosas

O pastor e líder evangélico, Gilmar Bonfim, assegura que a avenida também é palco de manifestações religiosas e deve melhorar as condições para abrigar eventos de grande porte. Citou o Aleluia Ilhéus e a Marcha para Jesus, como eventos deste perfil que atraem grandes públicos para a cidade. “São ações que já são feitas há muito tempo e o segmento traz um progresso grande para o município. Muitas pessoas não se atentam ao turismo religioso e ele também é importante e viável”, destacou. “O que é preciso construir a todo momento é uma sociedade que conviva em paz e harmonia”, completa Michel Mendonça, representação da União do Vegetal, entidade que realiza anualmente o evento “Ilhéus em Flor” na avenida.

Gilson Nei, do Conselho das Entidades Afro Culturais de Ilhéus, revela que é um sonho do Movimento Negro ter um centro afrocultural. “Precisamos ter uma referência afro para resgatar nossa história e que também possa incentivar e promover a economia criativa, através do seu artesanato, da escrita”. Representando o Movimento Cultural Povos de Terreiros de Ilhéus, Carlos Araújo dos Santos defendeu o que define como um tripé de propostas ecológica, econômica e cultural. Elas, segundo explica, precisam conviver juntas. “É preciso garantir o que foi pensado pelo paisagista Burle Marx no sentido de preservar a área verde, mas precisamos criar um complexo que dialogue com a ecologia integrando uma cidade cultural como teatro, concha acústica e outros equipamentos”, explicou.

Para além das opiniões destas lideranças, a Comissão da avenida segue com a pesquisa sobre o que a cidade pensa sobre o futuro da avenida Soares Lopes. Paralelamente às audiências temáticas, segue a escuta pública presencial (recepção da Câmara) ou online (https://forms.gle/8PYmL9NZQptuDA2aA) onde a população poderá opinar. A avenida seria uma área para novos empreendimentos públicos? Ou espaço apenas para lazer e entretenimento? Você conhece a biodiversidade da praia da avenida? Costuma ir com frequência à Soares Lopes? Que problemas você enxerga nela? Já ouviu falar no Parque Marinho Pedra de Ilhéus? Estas são alguns perguntas que constam no questionário.

De acordo com Vinícius Alcântara, o resultado deste trabalho irá servir como base para a elaboração de um parecer da Comissão da Avenida Soares Lopes. “O formulário tem três objetivos”, destaca Vinícius: subsidiar os trabalhos da Comissão Especial, ouvir a comunidade de forma qualificada e estimular que as mudanças aconteçam de forma participativa. “Política pública se faz com análise de dados, participação comunitária e conhecimento”, assegura o parlamentar.